Crônicas de Adelmar Cadar:
Como já dissemos em crônicas anteriores, logo que o Prado Mineiro reiniciou suas atividades em 1945, haviam animais puro sangue inglês, mas a maioria era ainda 1/2, 3/4 e 7/8 de sangue. À época, um jornalista do Diário da Tarde, Joaquim Brum de Almeida era também proprietário e tinha dois animais tordilhos, de nome Cântaro e Cruzeiro. Este último em homenagem ao clube de futebol do qual era torcedor. Cântaro era um potrinho muito indócil que dava um grande trabalho ao "starter" Dunorte André, que tinha uma implicância com o A.Oliveira, o popular "Dudu", que gostava de largar escapado. A partida era na bandeira e Dunorte ficava sempre de olho nele, dizendo "De golpe não, Dudu", ao mesmo tempo que tinha que cuidar do Cântaro, que além da indocilidade, largava sempre dois corpos atrás. O Cruzeiro era dócil e bom de partida e coma sempre atrás, atropelando na reta, com bastante vigor. Quem normalmente o montava era o J. Diniz, o popular "Zezinho", que também era jóquei do Menotti Mucelli, então Editor Chefe do Diário da Tarde.
Um determinado dia apareceu em Belo Horizonte um jóquei carioca, cujo nome não me lembro, que foi convidado a montar o Cruzeiro, que era uma barbada no páreo. Tudo ia bem, mas ao entrar na reta, viu-se claramente que o jóquei não queria disputar o páreo e chegou em terceiro, provocando vaias do público presente.
Posteriormente foi conhecido o fato de ter este jóquei, juntamente com um seu amigo, apostado em outro cavalo, que era um "azarão" e por isto não disputou o páreo. Mas como se diz "o castigo anda a cavalo" , o tal cavalo em que haviam jogado era realmente um "matungo", chegando longe, em último lugar, de nada adiantando a malandragem.
Mas aí ocorreu um fato inesperado. Com muita raiva do ocorrido, o Joaquim Brum entrou na raia, desceu o jóquei do cavalo e tirou-lhe a camisa, dizendo que ele não tinha moral para vestir sua farda, que aliás era nas cores do time de seu coração, tendo sido seu gesto aplaudido por todo o Hipódromo. O jóquei fugiu correndo e nunca mais apareceu por aqui.
Este fato mostrou que os turfistas não toleram este tipo de malandragem. Uma ou duas vezes, no Rio e São Paulo, a revolta por fatos semelhantes foi tão grande que as corridas foram suspensas.