História do turfe em Belo Horizonte

Márcio de Ávila Rodrigues

 

             Quando Belo Horizonte foi idealizada na prancheta de Aarão Reis, no final do século XIX, já havia uma área destinada às corridas de cavalos, que aliás deu o nome ao bairro do Prado. Poucos registros ainda restam, mas muitas corridas foram realizadas lá, até ser transformada em dependência da Polícia Militar. Leia aqui um texto do médico Adelmar Cadar, escrito na década de 90, sobre a história do turfe nesta capital começando pelo Prado Mineiro, que ele vivenciou.

 

             Uma fusão entre duas entidades distintas originou o Jockey Club de Minas Gerais no final da década de cinqüenta. A partir daí, turfistas e empresários partiram para a construção de outro hipódromo e adquiriram uma extensa área quase na divisa com Vespasiano, pertencente à Fazenda Serra Verde, e no mês de abril de 1965 iniciaram as corridas, mas em precaríssimas instalações. A área para o público era de bambu e cobertura de sapé. A corrida inaugural foi realizada com animais mestiços, trazidos da cidade de Curvelo, onde havia um pequeno e acanhado hipódromo. Clique aqui para conhecer a história do primeiro ano de atividades do primeiro Hipódromo Serra Verde.

 

             Sem as condições necessárias para atender aos turfistas mineiros, o hipódromo encerrou suas atividades e um grupo de associados partiu para a construção do novo hipódromo, cuja planta muito se aproximou do desenho arquitetônico do Hipódromo da Ilha do Governador, já extinto. Sob a batuta de José Maria Alkmim, político influente e escolhido como presidente do clube nesta nova e decisiva etapa, o Jockey Club de Minas Gerais inaugurou suas novas instalações, em 17 de maio de 1970. Clique aqui para saber mais sobre a luta de uma comissão de cinco membros, que dirigiu os trabalhos de construção.

 

             Após alguns anos difíceis, com a morte do líder Alkmim, o Serra Verde alcançou seus melhores momentos no final da década de 70, o que se estendeu até meados dos anos 80, quando a crise inflacionária começou a afetar o país. Sobre esta fase, publiquei um texto no Anuário da CCCCN/Ministério da Agricultura de 1981, que pode ser acessado aqui.

 

             No final dos anos 80 o turfe de Belo Horizonte passou por péssimos momentos, inclusive com paralisação das corridas. Nos anos 90 voltou a ter muita atividade, mas entrou definitivamente em crise no novo século, realizando sua última corrida de cavalos no dia 06 de fevereiro de 2002.

 

             No dia 15 de fevereiro de 2006, o Governador Aécio Neves assinou o decreto de declaração de utilidade público para fins de desapropriação, dando a partida para a total extinção do Hipódromo Serra Verde. Poucos anos atrás fiz esta descrição para o último clube de corridas do Estado de Minas Gerais: "O Hipódromo Serra Verde, situado às margens da MG 010 - Km 16 (caminho obrigatório para o Aeroporto Internacional de Confins), é um dos mais bem equipados do País, contando com alojamento para quase 300 animais, em cocheiras amplas e bem arejadas. A pista de areia possui em sua extensão 1.663 metros de volta fechada e uma seringa (prolongamento de reta oposta) de 400 metros. No Serra Verde existe ainda um lago natural para o treinamento de animais em natação, aliás um dos mais completos treinamentos de PSI, segundo os entendidos no assunto. O clima é o mais propício para a prática do turfe e por esta razão o Hipódromo Serra Verde é muito procurado por proprietários de cavalos de corrida de outros centros, principalmente no verão."

 

Veja mais:

 

Relação dos ex-presidentes do Jockey Club de Minas Gerais

 

Retrospecto histórico das presidências do Jockey Club de Minas Gerais - por Paulo Emílio Nelson de Senna

 

Histórico das reuniões realizadas no Hipódromo Serra Verde desde sua fundação

 

Relação dos cavalos que mais venceram no Hipódromo Serra Verde