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Márcio de Ávila Rodrigues
O Grande Prêmio Brasil de 2007 marcou a merecida vitória de um cavalo de nome estranho, meio italiano, meio inglês: L'Amico Steve. Foi uma confirmação de uma excelente campanha em que sua única derrota na temporada ocorreu no Grande Prêmio São Paulo, quando chegou a pescoço de Quick Road. A surpresa foi o modesto quinto lugar do grande favorito Quatro Mares, montaria de Jorge Ricardo. O melhor jóquei do mundo continua com apenas duas vitórias na maior prova do turfe brasileiro.
Correndo, como gosta, no lote da frente mas sem pontear, L'Amico Steve – o segundo mais jogado – ganhou uma carreira difícil, quase tendo sido surpreendido pelo segundo menos jogado, Tango Di Gardel. Houve um choque entre eles e reclamação do perdedor, mas a Comissão de Corridas confirmou o resultado de pista. O pequeno – para este nível de cavalo de corrida – His Friend, de 424 quilos, chegou em terceiro lugar. Em 2006 ele havia sido o segundo colocado. O ganhador está dando um gás na carreira do jóquei Vagner Leal, um profissional mediano que está se portando com competência.
É um cavalo meio diferente, tamanho abaixo da média sem ser pequeno, de excelente pedigree e criação mas que demorou a deslanchar e chegou a ser desprezado. Pesou 444 quilos, acima apenas do His Friend e 30 quilos mais leve que o terceiro deste ranking da balança, exatamente o Tango Di Gardel (Quick Road foi o top-weight : 546 quilos). Pedigree excepcional: o pai é Spend a Buck, ganhador do Kentucky Derby; a mãe é filha de Ghadeer, o melhor reprodutor que serviu no país nos últimos anos; a avó materna é Oriental Flower, segunda colocada no Grande Prêmio São Paulo de 1996; o pai desta última é Clackson, o melhor reprodutor nacional dos últimos tempos.
São únicas as circunstâncias da campanha do campeão. Mesmo treinado por Selmar Lobo, o treinador que mais estatísticas venceu em São Paulo no turfe moderno, não conseguiu vencer nas oito primeiras tentativas. O proprietário desistiu e colocou em leilão. Foi comprado por cerca de R$ 7 mil. Ganhou na corrida seguinte e nas outras cinco, inclusive duas provas clássicas. Depois perdeu o Grande Prêmio São Paulo por pescoço e ganhou o Grande Prêmio Brasil.
Outros destaques da semana máxima do turfe
A milha internacional, além de tradicionalmente ser a segunda prova em importância da Grande Semana, foi outro destaque com o recorde do ganhador Jet e a excelente corrida de uma craque, que é a potranca Celtic Princess. Invicta em três corridas (fáceis vitórias), ela perdeu no fotochar. Levou sete quilos de vantagem, mas estava correndo apenas pela quarta vez. Perdeu para um ótimo cavalo, pois o ganhador Jet impressiona, com seus 526 quilos.
São quatro são as provas mais tradicionais da semana. O clássico de velocidade, Grande Prêmio Major Suckow, foi vencido pela favorita Super Duda, que derrotou a inesperada potranca Requebra. Já o clássico exclusivo para as éguas, Grande Prêmio Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, em 2.000 metros , foi vencido por Re Thong, do Stud Capitão. Merecida vitória para o proprietário carioca que foi o responsável pelo último bom momento do Hipódromo Serra Verde, que virou centro de treinamento para os seus melhores corredores, em 2003.
Leia o texto Celtic Princess - campanha e pedigree - por João Salustiano Lyra
Morre o grande turfista José Maria Magalhães
Faleceu no dia 25 de setembro de 2007 o turfista José Maria Magalhães, aos 85 anos. Desde os anos 60 participou das atividades turfísticas, mas seu prazer era apostar nas corridas. Foi conselheiro do clube.
Nasceu no Serro em 07/10/1922 e tornou-se médico. A vida pública foi a marca de sua existência. Foi vereador em Belo Horizonte de 1959 a 1962, deputado estadual de 1963 a 1966 e depois duas vezes deputado federal. Foi cassado durante a legislatura 1967-1971 pelo Regime Militar, através do AI-5, mas ganhou novo mandato no período 1983-1987, último cargo eletivo.
Depois presidiu o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG) e chegou a ser indicado Ministro da Previdência no Governo Sarney pelo Governador Newton Cardoso, mas recusou o cargo. Exerceu a medicina até poucos anos antes de morrer, parando quando teve problemas de saúde.
José Maria Magalhães deixou dois filhos, inclusive José Lincoln, que foi vereador na capital, presidente da Câmara Municipal e atualmente é o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Jockey Club de Minas Gerais.
Haldane Ribeiro Teixeira, outro homem do turfe mineiro que desaparece
No dia 1º de agosto de 2007 faleceu outro turfista, Haldane Ribeiro Teixeira, aos 86 anos. Ele chegou a ter uma curta passagem como diretor, mas ficou mais marcado pela carreira de funcionário do clube, principalmente por ter chefiado a secretaria até 1975. O livro de empregados consta a contratação em 16/07/71 e a dispensa em 30/04/75, mas ele já exercia o cargo desde 1967 ou 1968.
Seu Haldane foi uma das pessoas que me introduziram no turfe. Aos 15 anos de idade, assisti à inauguração do hipódromo com um convite que ele entregou ao meu pai. Continuei freqüentando as dependências do clube com o incentivo dele.
Haldane também se destacou na atividade sindical, pois presidiu o Sindicato dos bancários por duas gestões. Era da cidade de Oliveira, onde nasceu em 19 de julho de 1921.
Ukrainian, vitória semiclássica para a família Baêta da Costa
Em uma arrancada impressionante, o potro Ukrainian ganhou no dia 22/09/2007, no Hipódromo de Cidade Jardim, a Prova Especial Ciro Frare. Ele largou com ligeiro atraso, correu em último por toda a reta oposta e ainda ganhou por mais de cinco corpos. É filho de Urban Habitat, um garanhão americano que serve no Haras Santa Luzia da Água Branca. Pesa mais de 530 quilos.
Ukrainian pertence ao turfista mineiro Milton Baêta da Costa, de tradicional família de turfe. Seu pai e tios freqüentaram inclusive o velho Prado Mineiro, na década de 40. Tem duas coudelarias em São Paulo : Stud Baêta da Costa e Stud Filhos do Baêta, este o que tem o registro do ganhador.
Punição para Riograndino Fontoura
O treinador Riograndino Fontoura teve longa carreira no Hipódromo Serra Verde nos anos 70, juntamente com seu irmão, o ótimo jóquei Pedro Fontoura. O Rio continuou sua carreira no Hipódromo de Campos, onde ganhou até estatísticas e ultimamente treinava para o Haras Fátima e Márcio, pertencente a Orlando Rocha, atual presidente do clube de lá. Pedro Fontoura abandonou a carreira lá pelos anos 80 e virou funcionário da Petrobrás. Hoje, aposentado, tem até cavalos de corrida.
Foi com tristeza que li a notícia de uma dura punição, aplicada pelo Jockey Club Brasileiro em 16/04/2007, ao R. Fontoura: proibição definitiva – vitalícia, portanto – de entrar na vila hípica do Hipódromo da Gávea. Conseqüência de uma sindicância concluída em Campos três dias antes.
Deve ter sido muito sério o acontecido com ele para gerar tamanha punição.
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